All Skate – Brasil: a relação íntima entre a dança e o vídeo

“A gente tem uma preocupação de mostrar todo mundo, porque, se aquele momento foi construído por todas as pessoas, nada mais justo que todas elas apareçam no vídeo.”

O Lindy Hop, afinal, é considerada “a dança mais feliz do mundo”. A felicidade de estar no mesmo ambiente, de dividir as danças, as músicas e as experiências. Um campeonato de dança é, acima de tudo, uma celebração. Um momento de troca entre quem está ali para conversar e dividir vivências.

E como captar isso tudo em vídeo e produzir materiais que sejam interessantes para a cena do Lindy Hop?

O coletivo Tools, criado por Renato Lopes e Mari Turco, faz registros profissionais em vídeo do All Skate, evento de competições de Lindy Hop no Brasil, desde a primeira edição em 2015. O grupo viabiliza trabalhos artísticos e cênicos de seus parceiros, tendo como uma de suas especialidades o registro audiovisual da dança.

Renato se envolveu intensamente com o Hip Hop durante 10 anos, mas começou a dançar Lindy Hop apenas no início de 2015, poucos meses antes do All Skate. Por entender a importância do vídeo para as companhias de dança, bailarinos e todos que são ligados à arte, a Tools fez uma permuta com os organizadores do evento: os profissionais realizariam o registro e produziriam conteúdo; em troca, fariam aulas com os professores de Lindy Hop. Foi a oportunidade de ajudar a cena a crescer.

“Foi uma experiência bem diferente, pois estávamos gravando um campeonato de uma dança com a qual tínhamos um contato de quatro meses. A gente aproveitou essa oportunidade para entender melhor como essa dança funcionava. E nossa relação com o Lindy cresceu.”

O All Skate é o campeonato pioneiro de Lindy Hop no Brasil. Para entender os processos e garantir a qualidade do registro, Renato estudou o evento com antecedência: participou de reuniões com os organizadores para entender sua estrutura, o cronograma, o posicionamento das câmeras, o desenvolvimento das modalidades. Percebeu que seria essencial assistir a todas as danças, participar ativamente do evento, interagir com a câmera junto às pessoas.

Renato conta que seus papéis de produtor audiovisual e de dançarino se misturavam: “Eu me lembro de estar dançando super feliz e pensar: “Acho que a câmera naquela posição não capta aqui onde estou. E poderíamos mobilizar as pessoas daquele canto, para ganhar espaço e poder gravar melhor”.

O evento é gravado na íntegra: todas as apresentações, os bailes, as competições, a banda, as premiações. Os registros se transformam em diferentes vídeos. Mas um dos principais produtos é o teaser: um resumo de tudo que aconteceu naquele ano. Ele é essencial para promover o evento. Depois de finalizados, os vídeos vão para um canal do Youtube – já que a internet é um meio estratégico para alcançar o público.

“De um ano para o outro, tudo muda. Melhora a percepção sobre a movimentação, a rítmica, o funcionamento da dança, o deslocamento das pessoas, os olhares. Existe investimento em equipamentos e a maturidade na dança e no trabalho com o vídeo. Aumenta o repertório: referências e fontes de inspiração. O conhecimento prévio facilita o acesso e colabora para registros melhores.”

No link abaixo, o teaser de 2016, onde Renato comenta sobre o impacto desses registros para quem participou do All Skate e também para quem não foi. Ele conta ainda como a experiência o ajudou na dança e na profissão de produtor audiovisual.

“A gente gerou um resultado; são pessoas que praticam essa dança compartilhando vídeos, onde disputaram, competiram, participaram, foram competir, e esses vídeos chegam em outras pessoas e fazem essas pessoas terem curiosidade sobre essa cultura e poder chegar e fazer parte.”

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