A importância dos vídeos de Lindy Hop segundo Sep Vermeersch

Muita gente se interessa por algum estilo de dança depois de assistir vídeos online ou filmes que possuem cenas com dançarinos – ou mesmo atores – realizando algum tipo de coreografia.

Não foi o que aconteceu com Sep Vermeersch. Dançarino, artista, coreógrafo, professor, DJ e mestre de cerimônias, Sep entrou no mundo do Lindy Hop em 2008, quando assistiu a aula de uma dupla de ‘old timers’ num evento na Bélgica.

Atualmente sua imersão em materiais audiovisuais varia: tem dias que assiste a vários vídeos, ou chega a ficar semanas sem assistir nenhum. Ele comenta que prefere ver vídeos de amigos ou pessoas que conhece, além de gravações de grandes festivais, para ficar atualizado com o que está acontecendo na cena.

“É de filmes e videos online que tiramos um pouco de energia, quando assistimos e sentimos algo como ‘Nossa! Eu quero aprender isso’. Também é um jeito de nos educarmos, encontrarmos informações, conhecer os dançarinos antigos, ver o que os contemporâneos estão fazendo e como tudo foi evoluindo”.

Por um lado, Sep avalia que a produção de vídeos é importante e pode ajudar a promover as escolas, as páginas de Facebook ou a carreira de professores e dançarinos: “É uma maneira importante de mostrar que você está ativo na cena ou que você está trabalhando em algo”. Também funciona para divulgação de festivais com grandes convidados – “Veja os dançarinos que irão participar do evento!” e, posteriormente, mostrar que aquele festival foi legal.

Por outro lado, ele acredita que a essência do que está acontecendo na cena local é mais importante do que aquilo que os vídeos mostram:

“Para os dançarinos, acho que a era do vídeo ‘acabou’. A maneira como as pessoas falam sobre um profissional parece ser mais importante. Com tanto material online, como você pode escolher um professor simplesmente através de videos da Internet?”

Sep cita que os recentes escândalos envolvendo professores famosos também influenciam a escolha dos profissionais. As pessoas estão percebendo que um bom vídeo não necessariamente simboliza que aqueles dançarinos sejam bons professores. Para ele, a divulgação ‘boca a boca’ funciona melhor e tem mais credibilidade.

Mas, afinal, o que seria um bom vídeo de Lindy Hop nos dias atuais? O dançarino acredita que são necessários três elementos: contexto, boa música e estética.

“Contexto é o maior desafio. Pense em alguns vídeos de swing que se tornaram virais na Internet: eles mostram pessoas falando sobre a beleza da dança social, mas possuem de fundo uma música suave demais e as imagens são de dançarinos realizando passos aéreos em lugares aleatórios. Estes elementos não geram vínculo com o conteúdo das entrevistas e não simbolizam a dança social. Acaba ficando confuso para quem está entrando agora na cena”.

Em 2012, Sep participou do vídeo “Swing, Brother, Swing”. Ele conta que o projeto tinha o objetivo de conectar as pessoas da cena local, reunir escolas de dança e organizadores, mostrar a atmosfera animada da cidade de Gent, na Bélgica. O vídeo é feito no formato de narrativa, que foi uma proposta dos diretores, abraçada pelo elenco. Sep procurava algo divertido e cheio de energia para a trilha sonora quando chegou em “Swing, Brother, Swing”, de Willie “The Lion” Smith. Todas as cenas de dança foram filmadas em festas reais, para que a energia jovial da cena pudesse ser “transferida e sentida” por quem assistisse ao vídeo.

Posteriormente, os envolvidos no projeto ficaram sabendo sobre Jazz Dance Film Fest e resolveram se inscrever. O vídeo ganhou o primeiro lugar em 2012. Sep reconhece que o JDFF foi importante naquela época, mas complementa: “Acredito que agora perdeu um pouco de relevância. O tempo mudou e a produção audiovisual se tornou muito mais acessível. Os vídeos do JDFF ficaram submersos.”

E pra você, os vídeos de dança são importantes?

Revisão: Sarah Quines

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