Swing Nation – Vamos falar sobre Swing Dances

Um grupo de dançarinos apaixonados por Lindy Hop criou um site em 1997 sobre o assunto. Empolgados com a ideia, fizeram um podcast, chamado Yehoodi Talk Show. Depois, com o aumento da circulação de vídeos na internet, eles resolveram aderir à ideia e criaram um programa de vídeo sobre o Lindy Hop, feito por lindy hoppers: nascia o Swing Nation.

“Gostaríamos que as pessoas olhassem para trás e dissessem: ‘Aconteceram coisas no passado que eu gostaria de lembrar. Posso ver rapidamente (no Swing Nation) e depois pesquiso mais sobre isso.”

Manu Smith é um dos produtores da página e do canal de vídeos. Ele explica que a ideia de cada programa é destacar ações da comunidade do Lindy Hop que despertem interesse e discussões, que sejam grandes histórias:

“É muito fácil filmar Lindy Hop hoje em dia. Então você poderia nos ignorar e assistir de outras maneiras tudo o que quiser. Mas tentamos fazer vídeos que sejam facilmente recebidos sobre o que aconteceu naquela semana e naquele mês. (Durante o programa) nós damos nossa opinião sobre os acontecimentos e pedimos as opiniões do público sobre eles.”

“Você aprende muito quando faz muito”. O primeiro vídeo foi ao ar em setembro de 2012. De lá pra cá, é inegável a evolução do programa. “Qualquer aspecto da realização de um vídeo de dança é importante: qualidade da produção, iluminação, técnicas de registro para capturar adequadamente os movimentos, por exemplo. Tudo isso é importante para criar vídeos de Lindy hop visualmente impressionantes”. Mas o principal, no caso do Swing Nation, é o andamento, o ritmo e as escolhas do conteúdo. Para Manu, todos os vídeos de dança são importantes, independentemente da maneira que forem feitos: “Seu celular pode gravar o Skye e a Frida e vai ficar bom de qualquer jeito”.

O projeto todo é um trabalho de amor. Das dificuldades técnicas na gravação do primeiro programa à concretização de um projeto pioneiro: “Um programa para Lindy hoppers poderem ver a dança e ouvir comentários sobre ela”. – comenta Manu.

Swing Nation começou como um programa ao vivo, com duração de uma hora. Como o número de acessos ao conteúdo gravado era muito maior do que o da exibição ao vivo, o grupo mudou o formato: passou a ser meia hora de histórias, notícias e cenas engraçadas. Ainda assim, era um conteúdo longo para algo tão específico como o Lindy Hop. Hoje, são vídeos curtos, com cerca de seis minutos. “Nós deixamos tudo muito rápido e informativo; excluímos o que poderia ser chato.” – explica Manu.

Em janeiro de 2015, foi publicado o vídeo ‘Creating and organizing Safe Swing Dance Spaces’. Manu considera este um dos mais importantes, porque conta com a participação de vários professores da cena discutindo sobre como criar e organizar espaços seguros na prática do swing.

Já o vídeo com mais acessos até a publicação deste texto é ‘Swing Nation #31, Weird Science’. A tag ‘Bill Nye’ parece ter feito toda a diferença. Para Manu, a quantidade de visualizações tem a ver com a participação de Bill – um grande nome das ciências – no programa Dancing with the Stars: “Talvez o YouTube tenha “empurrado” nosso vídeo nas pesquisas por ‘Bill Nye’”. Este tipo de informação nos dá pistas sobre a importância das #hashtags para as publicações online.

Para ampliar o alcance do conteúdo inclusive para quem é de fora da cena, cada história contada é contextualizada. Se você já pesquisou sobre vídeos de Lindy Hop no Youtube, deve ter notado que os mais acessados têm dançarinos incríveis fazendo coisas incríveis. Mas, como são assuntos específicos, a maior parte da audiência é formada por Lindy hoppers. “Eu não acho que algum dia vamos superar o número de assinantes de um canal de games ou de culinária”. – comenta Manu, ainda sobre os limites da audiência:

“O canal Yehoodi no Youtube tem cerca de 1.500 assinantes, o que nos parece muito bom. Eu acho que está indo muito bem para o público a quem nos direcionamos. Dois ou três apresentadores, falando sobre dança e mostrando destaques de acontecimentos, nunca atingirão uma grande massa de pessoas.”

Os vídeos são divulgados nas mídias sociais, como YouTube e Facebook, considerados os mais eficientes para uma circulação maior do conteúdo. Os produtores usam o YouTube Analytics, que apresenta os dados de acesso do canal, para entenderem como o público assiste aos vídeos e de que formas os compartilham: “Nós sabemos que a maioria das pessoas assiste ao programa pelo celular. Estamos recebendo muitas visualizações e compartilhamentos no Facebook, então acredito que é onde a maioria do público está”. Todos os comentários do público são bem vindos? Manu considera que sim. E esclarece que as diferentes mídias podem gerar comentários variados:

“Talvez eles digam no Facebook: ‘Ótimo trabalho!’. Mas, ao olharmos no YouTube, podemos encontrar: ‘Vocês são lixos e não sabem do que estão falando’. Esse é o comentário habitual que vamos ter no YouTube. Porque isso é o YouTube”.

Apesar dos custos que um programa como este demanda, Manu faz questão de deixar claro que todo o dinheiro sempre saiu do bolso dos produtores e de pessoas que contribuíram para o programa, inclusive nos gastos com cinegrafistas e refeições para a equipe.

Na edição de 2014 do ILHC (International Lindy Hop Championships), eles tiveram a ideia de utilizar uma plataforma para contribuições voluntárias. Caso você tenha interesse em apoiar o projeto, que produz conteúdos tão bacanas sobre esta dança que amamos, aproveite: https://www.patreon.com/yehoodi

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